quinta-feira, 4 de julho de 2013

MIRADOURO


 
MIRADOURO

 

Há um rio

na minha margem da terra

que me leva à outra margem

de mim:

ouro em fio

visto do alto da serra

que justifica a nascente

donde vim.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

NÍVEOS REFLEXOS

(Régua, ao largo de um perfume de rosas - foto de TT)


Níveos reflexos


O Céu azulou de inveja
e plantou
(também)
rosas brancas
num canteiro ao erguer do olhar:

aqui, à berma de um rio
rio
beneficio
e agradeço
-
o perfume que me chega
é muito mais do que mereço...

VERDEGAR

Douro, por mim - 03/05/2013


VERDEGAR


Já é verde, à flor do Douro.

Na tona do olhar,
o alburno jovem da terra
permanece quase pó(len):

tinta fresca em estado de partículas
que chuvas mansas ainda hão-de diluir,
têmperas de sol ainda hão-de macerar
com perfumes de frutos e essências de vinhos
-
até à absorção fulcral
na epiderme dos xistos.

Até ao êxtase do olhar,
na contemplação do quadro,

ou até à maturação dos néctares,
à boca do cálice.

quinta-feira, 11 de abril de 2013


(foto de Teresa Teixeira)

 
 
MULHER-D’OURO

 
Numa era em que as palavras são só palavras e os valores estão desgastados
(Ainda) há uma voz solta do peito
Que (me) faz crer que os sonhos em poemas idealizados
São em tom rubro, de amor-perfeito…

Voz de menina-mulher
Na essência de ser
(E não ser)
O que quiser…

Pitada de inspiração
Nu(m) olhar emotivo
Cega rima-canção
De quem ama sem motivo…

Douro o rio-poema
Que (es)corre pela mão
Tesouro-tema
Em versos banhando o coração…

Pela janela da alma
A paisagem veste-se de candura
Palma com palma
O sentimento sem amarras, perdura!

 


(em dedicatória carinhosa)

(10.03.13)


segunda-feira, 11 de março de 2013

ao poeta Luís R. Santos "aquazulis", agradeço a belíssima "doação"...


videira






 







***


há uma videira cárnea que te sobe às curvas,
vibra, enleia o seio, toma a boca em floração...
rasga por ti acima, eclode em bagos de paixão
como sóis que se hasteiam em céus d'ardências turvas.

um bago, um poema. mil poemas, canção de uvas
borbulhante no cálix, na concha da tua mão,
que safras tais esfriam os lábios ao verão,
esses que sonham com rios, com fontes, com chuvas.

mutante, ora és videira, ora és mulher,
uma tão doce como a outra, fartas no colo,
ubérrima ao bardo que te souber colher.

e mirram-te os deuses, em iras invernais,
porque sabem que és fruto, és chuva, és solo,
fino aroma, rival dos bouquets celestiais.


(Luís R Santos)





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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"Um abracinho... num é pecado"


(intertextualidades cândidas)
"um abraço é pouco,
dois é conta certa,
dá-me cá mais outro,
ora aperta, aperta..."






dá-me cá mais dois,
que te quero a par,
um beijo despois,
que estou a gostar

ai um abracinho
quando é bem dado,
meu namoradinho,
ai, num é pecado

sempre que te beijo,
com os olhos meus
num sei que lampeijo
há nos olhos teus

se te fores imbora
pr'as franças distantes
leba-me senhora
ou atão amante

que te quero munto,
que te quero tanto,
contigo inté junto
trapinhos e canto:

dá-me um anelzinho,
de lata, que seija,
sem missa ou padrinho,
sem letria ó igreja...

só te quero assim,
junt'ó coração,
'braçadinho a mim,
não me deixes, não!


 
"Ai que linda troca d'olhos..."
 
 
 
Ai que linda troca d'olhos
fizeram agora ali
trocaram-se uns olhos pretos
por uns azuis, que'eu bem vi"
(cancioneiro popular)


Foi negócio a céu aberto,
lá na feira de Mesão,
o vendedor, bem decerto,
tem à freguesa afeição...

Pois não houve regateio,
foi um dá-cá e toma-lá,
e o troco, neste enleio,
só no coração se dá.

Que lindos, os olhos qu'ela
deu à troca, pelos dele,
eu sei qu'outra clientela
por eles dava um anel!

Negros, feitos do mistério
onde o amor s'aconchega,
de moçoila em porte sério,
mas qu'a folia num nega...

Que lindos, os olhos qu'ele,
lh'ofer'ceu apaixonado,
safiras para o anel
prometido pró noivado.

Azuis, onde guarda o mar
que trouxe um dia do Porto
pra um dia o poder dar
a quem lhe desse conforto.

Ai que linda troca d'olhos
fizeram agora ali,
só falta bordar os folhos
do vestido d'organdi!